
Conversar com o leitor e descobrir seu gosto literário; 
Leia você mesmo um livro, sobre o assunto da preferência do leitor;
Deixe que ele veja você lendo. Não tente chamar atenção para o fato de estar lendo, principalmente se você não tem o hábito de ler regularmente;
Ao ler um livro, procure demonstrar as emoções que sente a partir do que está lendo como: rir, fazer comentários baixinho como se estivesse falando sozinho etc. Isso vai deixar o leitor curioso;
Quando terminar de ler, não lhe ofereça o livro. Ao invés disso, coloque-o em lugar visível;
Em momento algum o obrigue a ler; procure, como no quarto item, despertar a curiosidade e o desejo de ler do leitor;
Peça que ele leia para você. Demonstre confiança nele ( isso se consegue com entonação certa da voz, tom firme, sem titubear );
Durante a leitura, se quiser, você pode interromper para fazer algum comentário com relação a história;
Seja paciente e nunca corrija, diga apenas que não entendeu direito algum parágrafo etc;
Ao perceber que o leitor está cansado, peça para fazer uma pausa. Os sintomas de cansaço são: mudança constante de posição, olhadas sutis para o lado, tentativa de deitar no chão, etc;
É importante que você saiba que, ao pedir para ele ler, você lhe deu confiança; confiou ao leitor uma tarefa de importância e gostou do que ele fez. Isso o faz sentir-se importante.
Orientações para a leitura Condições de leitura:
Ambiente adequado;
Organização de horários para estudo e leitura;
É importante o descanso: cada hora de estudo deve ser seguida de 10 minutos de espairecimento. (tomar água, caminhar um pouco, etc.);
Posição corporal adequada: deve-se atentar para a posição, correta e confortável, ao estudar;
Diversificação das fontes de leitura para que consiga “navegar” pelos diferentes tipos de textos;
Leitura contínua para a aquisição da prática: quem não possui hábito de leitura, lê devagar ou precisa reler o texto várias vezes;
Como ler bem:
Existem passos para uma boa leitura. Observem alguns:
Visão global;
Questionamento do que se lê;
Estudo do vocabulário do texto;
Anotar as palavras não compreendidas em uma folha, à medida que se lê, sem parar a leitura, pelo menos até o item seguinte. Ao se fazer a pausa, devemos verificar se é realmente necessário a consulta de todos os termos anotados. Alguns deles podem ter sido esclarecidos no contexto da própria leitura;
Consultar o dicionário quando preciso;
Identificar as idéias principais.
Sublinhar é importante?Sim, mas só devem sublinhar aspectos essenciais. Não se deve pensar que tudo é importante. Atenção para o seguinte:
Sublinhar apenas palavras-chave e idéias principais, mas somente depois de uma leitura contínua; não “sobrevoar” o texto; cuidado no grifo às frases inteiras: se o parágrafo for importante, traça-se um risco vertical à margem.
Destaque elementos de ligação que criem idéias de oposição (mas, embora, etc.);
Reconstituição do texto, baseando-se nas palavras e expressões sublinhadas, o que permite a visualização imediata de idéias principais.
Boa sorte e boas leituras
Sobre a a alimentação dos adolescentes
Na adolescência, o indivíduo ganha entre 20 e 25% de sua estatura e em torno de 50% de seu peso definitivo. É fácil perceber, então, a importância de uma dieta equilibrada.
Podemos dividir os alimentos em quatro grupos distintos: o do leite, que fornece cálcio, proteínas e algumas vitaminas e sais minerais; o da carne, que também fornece proteínas, além de ferro e algumas vitaminas; o dos vegetais e frutas, que fornece sais minerais e fibras; e o do pão e cereais, que fornece glicídios, ferro, vitaminas e proteínas de baixa qualidade. Assim, diariamente, devemos ingerir ao menos um alimento de cada grupo.
- É interessante fazer três ou mais refeições por dia. O café da manhã deveria ser mais substancial, pois ao acordar viemos de um longo período de jejum. A falta de um bom café da manhã, pode reduzir a capacidade de trabalho e de concentração no período da manhã.
- Verduras, legumes e frutas são indispensáveis na alimentação como fonte de diversas vitaminas.
- Os vários tipos de carne têm, praticamente, o mesmo valor nutritivo.
- Segundo alguns médicos, a substituição da manteiga pela margarina seria vantajosa, pois esta é fabricada a partir de óleos vegetais, menos nocivos à saúde que a gordura animal. No entanto, as substâncias químicas adicionadas às margarinas ( conservantes, corantes, sabores artificiais, etc) tornam desaconselhável a sua utilização.
- Nunca é demais enfatizar a grande importância de consumir misturas complementares de proteínas vegetais no mesmo prato. Um cereal como o arroz e uma leguminosa como o feijão enriquecem-se mutuamente.
- Evite consumir em demasia balas, chocolates, refrigerantes, chicletes, sorvetes e outros alimentos ricos em açúcar, principalmente antes das refeições. Seu consumo excessivo diminui o apetite sem satisfazer as necessidades alimentares do indivíduo, além de favorecer o aparecimento de cárie e da obesidade.
- Substitua os refrigerantes por sucos ou refrescos de frutas frescas, pois estes, além de possuírem mais vitaminas, não contêm aditivos químicos.
- Mastigue bem, coma devagar e evite comer demais.
- Não discuta problemas durante as refeições e não coma assistindo televisão.
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1. Brincar, brincar, brincar.
2. Acampar na sala com você. Fazer cabana.
3. Ter segredos gostosos com o pai e com a mãe, separadamente.
4. Tomar banho de esguicho na grama em dia de sol ou correr e brincar na chuva...
5. Plantar uma árvore ou um pezinho de feijão no algodão, dá na mesma.
6. Fazer biscoito, bolo, brigadeiro, sem se importar com a sujeira. Depois, comer aquela gororoba e ter dor de barriga.
7. E ganhar colinho. Ganhar colinho sempre, mesmo quando o colo fica pequeno. Aliás, existe colo pequeno? Que conversa estranha... Colo é colo!
8. Ter uma festa de aniversário legal - isso não tem nada a ver com gastar dinheiro e, sim, com reunir a família, comemorar e estar feliz.
9. Esperar o coelho da Páscoa. E ver as pegadas dele no chão...
10. Dormir na casa do(a) coleguinha de vez em quando ou permitir que o(a) coleguinha venha dormir em sua casa.
11. Esperar Papai Noel chegar. E entender que aquele presente escondido no armário dos pais é outra coisa, nada a ver com Papai Noel.
12. Fazer misturinha. Sabe o que é? É poder, quando ir ao restaurante, misturar no copo de água tudo que aparecer na mesa: a bebida dos outros, açúcar, sal, pimenta, azeite, farelo de pão...
13. Ir para a escola, ser alfabetizado.
14. Ficar deitado na grama vendo estrelas e o desenho das nuvens
15. Agradecer ao Pai do Céu todos os dias.
16. Aprender a amarrar o tênis. E se sentir importante por causa disso.
17. Sentir-se importante. Porque, de fato, é.
18. Inventar história. Em todos os sentidos. Inventar.
19. Aprender a comer o básico. Porque o básico é básico.
20. Dormir bem e na hora. Em silêncio, limpinho, na própria cama.
21. Ir dormir tarde de vez em quando, porque é uma delícia.
22. Dormir na cama da mãe e do pai e fazer farra ou esticar a preguiça.
23. Faltar na aula sem motivo, num dia de chuva, por exemplo, e ficar em casa de pijama, brincando.
24. Ir à escola e aprender. Aprender até que faltar na aula é um prejuízo danado...
25. Fazer uma viagem para longe. Acampar. Pantanal. Mudar de ambiente. Sonhar, delirar.
26. Descobrir que voltar pra casa é muito bom. E que nossa casa é um mundo, o universo.
27. Aprender a nadar, andar de bicicleta, ficar em pé no balanço.
28. Ter tido, estar pensando em ter ou ter freqüentado uma casinha na árvore. Vale só desejar, também. Aliás, desejar é muito bom, sempre. Motiva.
29. Ter ido a um concerto ou a um balé clássico ou uma ópera. Ver um filme legal no cinema e ter ido a muitas e muitas peças infantis.
30. Fazer um espetáculo. Aquele de balé, do final do ano. Aquele da escola. Um show com os amigos, improvisado. Valem todos.
31. Ter coleção. De revista, de figurinha, de mosquito morto, de minhoca, de carrinho, o que for.
32. Ser vigilante da natureza.
33. Dormir na casa dos avós, curtir com os avós, aproveitar os avós.
34. Ter medo e correr pro colo do pai e da mãe. E descobrir que,assim, o medo passa.
35. Jogar bolinha de gude, soltar pipa, brincar de esconde -esconde ou pique.
36. Cantar, ligar o radio bem alto.
37.Ter um amigão ou amigona de verdade, não invisível.
38. Ter falado o que gosta, ouvido o que não gosta, respondido o que não devia e pedido desculpas.
39. Ter conversado muito, muito, com o anjo da guarda.
40. Ter sido criança. Todos os dias. Aproveitando isso. Sem ninguém atrapalhar.
A mala de viagem
Conta-se uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante pela estrada, levando uma pedra numa mão e um tijolo na outra. Nas costas carregava um saco de terra; em volta do peito trazia vinhas penduradas. Sobre a cabeça equilibrava uma abóbora pesada.
Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou: 'Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão grande?'
'É estranho', respondeu o viajante, 'mas eu nunca tinha realmente notado que a carregava.' Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor.
Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou: 'Diga-me, cansado viajante, por que carrega essa abóbora tão pesada?'
'Estou contente que me tenha feito essa pergunta', disse o viajante, 'porque eu não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo.' Então ele jogou a abóbora fora e continuou seu caminho com passos muito mais leves.
Um por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma a uma. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou como tal. (Qual era na verdade o problema dele? A pedra e a abóbora?
Não.
Era a falta de consciência da existência delas. Uma vez que as viu como cargas desnecessárias, livrou-se delas bem depressa e já não se sentia mais tão cansado. Esse é o problema de muitas pessoas. Elas estão carregando cargas sem perceber. Não é de se estranhar que estejam tão cansadas!
São aqueles que dão proteção e segurança aos filhos;
são aqueles que corrigem os comportamentos dos seus filhos, sabendo que ao agirem assim, estão fazendo um bem a eles;
são aqueles que sabem dizer o NÃO e, ao fazerem isso, estão dando um SIM para o desenvolvimento dos filhos;
são aqueles que exercem a profissão, mas não abandonam a missão de serem pais;
são aqueles que sabem disciplinar os filhos, no lugar de castigá-los;
são aqueles que, ao exercerem sua autoridade, não se utilizam de ameaças, chantagens, ofensas ou agressões físicas e emocionais;
são aqueles que não fazem promessas ou dão prêmio aos filhos porque obedeceram ou fizeram algo certo;
são aqueles que permitem a expressão dos sentimentos, das idéias de seus filhos, mais sabem, também impedir certos comportamentos que expressam sentimentos ou idéias nocivas;
são aqueles que ajudam os filhos a se responsabilizarem pelo que fizeram, levando-os à verdade e à coerência;
são aqueles que demonstram afeto, amor no que fazem pelos filhos;
são aqueles que demonstram o amor na dedicação e nos cuidados, não esperando serem compensados ou que os filhos façam sempre o que pedem;
são aqueles que se utilizam de regras claras e justas e essas são implementadas;
são aqueles que conseguem desvencilhar a atitude errada do filho, da pessoa que ele é;
são aqueles que sabem viver o espaço da intimidade do casal, do descanso, do lazer e permitem que os filhos também tenham o seu espaço;
são aqueles que admitem suas próprias falhas, reconhecendo os seus próprios erros, buscando modificá-los;
são aqueles que, diante de um ato equivocado, reconhecem o erro e pedem desculpas;
Neste exercício da função paterna e materna, onde não tem escola para essa aprendizagem, a sabedoria está na herança adquirida dos ensinamentos vividos, onde os princípios, os valores não devem ser alterados. Nessa prática, apostamos que os filhos serão também suficientemente bons.
Equipe de Formação Humana
Colégio Santa Catarina – Juiz de Fora
Bons pais corrigem erros, pais brilhantes ensinam a pensar. Entre corrigir erros e ensinar a pensar existem mais mistérios do que imaginam nossa vã psicologia. Não seja um perito em criticar comportamentos inadequados, seja um perito em fazer seus filhos refletirem. As velhas broncas e os conhecidos sermões definitivamente não funcionam, só desgastam a relação. Educar não é repetir palavras, é criar idéias, é encantar.
Pais brilhantes conhecem o funcionamento da mente para educar melhor. Eles têm consciência de que precisam ganhar primeiro o território da emoção, para depois ganhar o anfiteatro dos pensamentos e, em ultimo lugar, conquistar os solos conscientes e inconscientes da memória, que é a caixa de segredos da personalidade. Eles surpreendem a emoção com gestos impares.
Se você educa a inteligência emocional dos seus filhos com elogios quando eles esperam uma bronca, com um encorajamento quando eles esperam uma reação agressiva, com uma atitude afetuosa quando eles esperam um ataque de raiva, eles se encantarão e registrarão você com grandeza. Os pais se tornarão assim agentes de mudança.
Bons pais dizem aos filhos: "Você está errado." Pais brilhantes dizem: "O que você acha do seu comportamento?" Bons pais dizem: "Você falhou de novo." Pais brilhantes dizem: "Pense antes de reagir." Bons pais punem quando os filhos fracassam; pais brilhantes os estimulam a fazer de cada lágrima uma oportunidade de crescimento.
A perseverança é tão importante quanto a habilidade intelectual. A vida é uma longa estrada que tem curvas imprevisíveis e derrapagens inevitáveis. Pais brilhantes mostram que as mais belas flores surgem após o mais rigoroso inverno.
Pais que não têm coragem de reconhecer seus erros nunca ensinarão seus filhos a enfrentar seus próprios erros e a crescer com eles. Pais que admitem que estão sempre certos nunca ensinarão seus filhos a transcender seus fracassos. Pais que não pedem desculpas nunca ensinarão seus filhos a lidar com a arrogância. Pais que não revelam seus temores terão sempre dificuldade de ensinar seus filhos a ver nas perdas oportunidades para serem mais fortes e experientes.
A capacidade de reclamar é o adubo da miséria emocional e a capacidade de agradecer é o combustível da felicidade. O verdadeiro otimismo é construído pelo enfrentamento dos problemas e não pela sua negação.
Bons pais conversam, pais brilhantes dialogam como amigos. Abraçar, beijar e falar espontaneamente com os filhos cultiva a afetividade, rompe os laços da solidão.
Estamos na era da admiração. Ou os seus filhos o admiram ou você não terá influência sobre eles. A verdadeira autoridade e o sólido respeito nascem através do diálogo. O diálogo é uma pérola oculta no coração. Ela é tão cara e tão acessível. Cara, porque ouro e prata não a compram; acessível, porque o mais miserável dos homens pode encontrá-la. Procure-a.
Trechos do livro "Pais brilhantes, professores fascinantes" de Augusto Cury
Uma cena comum. Um jovem aluno vê a professora carregando uma pilha de livros e, solícito, vai em sua direção e oferece ajuda. Não espera resposta. Delicadamente, pega parte do material da mestra e, orgulhoso da iniciativa, caminha a seu lado. Vão em direção à sala, quando o garoto entrega os objetos a ela. Caminha até a carteira, com um leve sorriso nos lábios, aguardando o início da aula.
Um gesto, ao mesmo tempo, tão simples e tão perfeito fica na minha memória. Um misto de respeito, cordialidade e afeto... um ato como tantos outros que se perpetuam e se mostram nos dias de hoje. Um gesto de luz!
A cena nos convida à reflexão. Desperta um imenso desejo de que muitos e muitos jovens passem a expressar cordialidade como essa e tantas outras atitudes (tão raras em nossos dias) de generosidade, complacência, compromisso, respeito, simplicidade... Não apenas nos recintos escolares, mas também nas ruas, praças, passeios, ônibus, feiras, shopping e que se estendam aos espaços íntimos e privados.
Gestos assim expressam algo, ao mesmo tempo, importante e belo. Palavras tornam-se desnecessárias. São atitudes que muitas crianças, um dia, movidas pela admiração, fizeram ou quiseram fazer pela professora. Um amor disse Freud, que nem mesmo elas sabiam ter. O gesto brota num momento, substitui as palavras – não são necessárias.
Não se trata de subjetivismo romântico, de uma reação sentimental, sensível. Trata-se de fazer surgir na superfície, no real das relações escolares e sociais o que é mais sublime no homem – sua capacidade verdadeira e autêntica de ser – educado e amoroso. Esse olhar e o seu efeito, que se traduzem em gestos concretos deveriam ser cultivados por todos.
Assistimos, na atualidade, a uma série de rupturas com a possibilidade de vir a ser e estar na vida. Nos mais variados lugares, temos presenciado incessantes ignorâncias, expressões grosseiras, profundos desdéns, agressões sutis e desordem.
Enquanto a expressão do jovem solícito e atencioso nos comove, o seu contrário nos deixa estarrecidos.
Temos consciência de que não nascemos estúpidos, grosseiros, violentos, desrespeitosos... No curso da vida nos tornamos. Tornamo-nos aquilo que as circunstâncias nos permitiam ou aquilo que inventamos para modificar as circunstâncias.
Delinear os limites entre o subjetivo e a realidade objetiva é uma das tarefas mais urgentes.
Exercer a prática de respeito mútuo e relação fraterna exige o preparar-se para isso, tem suporte na Educação.
A competência adquirida, aquela que expressa e qualifica o jovem para sair-se bem numa prova, no jogo do campeonato ou numa apresentação, ou daquele profissional exímio no seu ofício... . Todas essas valorizações não são menos importantes do que aquelas que expressam virtudes e valores humanos.
Devemos estar continuamente, alerta e atentos diante do gesto que não expressem respeito, cordialidade ou neguem o afeto. É preciso não entendê-los como naturais, próprios da adolescência ou como prática na atualidade – padrões quase normais de uma coletividade.
Não nos esqueçamos do que deve conduzir nossas crenças, nortear e direcionar nossos atos. Compactuar com o absurdo é deixar de lado o que temos de mais precioso – a nossa humanidade.
Como educadores que somos é esse o nosso papel.
Maria Fernanda J. Pedroso
Juiz de Fora, agosto /2009
Adaptação do texto de Isabel Maria Sampaio Oliveira Lima
A adolescência deve ser compreendida como um tempo de encontros e travessias. Encontro e confronto consigo mesmo e com os outros. Travessia entre a infância e a idade adulta, entre a dependência e a autonomia, entre o mundo da educação e o mundo do trabalho, entre a condição de filho ou filha e a possibilidade de ser pai ou mãe.
Para realizar com êxito esta transição, o adolescente deverá mostrar-se capaz de plasmar sua identidade e construir seu projeto de vida. Pela diferenciação de sua identidade em relação aos pais e outros adultos, ele nasce para si mesmo. Pela construção de seu projeto de vida, ele nasce para a sociedade. Por isso, considero que, na adolescência, o jovem passa pelo segundo nascimento. Esta é a época de se cortar pela segunda vez o cordão umbilical. O adolescente, então, irá procurar diferenciar-se, tornar-se uma pessoa única, singular. É natural que nessa fase de vida o adolescente se confronte com seus educadores familiares e escolares, procurando marcar e desmarcar as diferenças existentes entre sua maneira de ser e a maneira de ser destes educadores.
Temos que compreender que, na adolescência, aparece uma relação nova e fundamental, que é a relação dos adolescentes com seus pares. Enquanto a vida das crianças é definida pela sua relação com educadores familiares e escolares, na adolescência, essa definição se dá basicamente através da relação com colegas, amigos, companheiros, ou seja, na relação com seus pares.
A chamada “crise” da adolescência não envolve apenas as ocorrências comumente divulgadas de: gravidez precoce, drogas, álcool, fumo, doenças sexualmente transmissíveis, violência. Esta “crise” se refere também às perdas que o adolescente sofre em relação ao próprio corpo, às imagens infantis, aos pais da infância e ao surgimento da sua nova identidade.
Outro aspecto que não pode ser ignorado, com respeito à formação da identidade do adolescente, é que, durante esse processo, ele irá manter com o mundo adulto uma relação do tipo “recuso mas aceito”. Ele irá manter um julgamento seletivo em relação aos valores que lhe são transmitidos pelo mundo adulto. Ele irá assimilar aquilo que vai ao encontro dos seus anseios, expectativas e tenderá a não aceitar aquelas normas que se revelem puramente limitadoras de sua expressão vital.
Qual é a melhor forma dos pais fazerem chegar aos adolescentes os valore e atitudes que eles desejam que os filhos assimilem? Isso deverá ocorrer mais pelo curso dos acontecimentos do que pelo discurso das palavras. Os pais não devem dramatizar e nem temer a confrontação do adolescente com o mundo adulto. Eles deverão ser honestos e firmes no que diz respeito aos seus valores. È preciso procurar formas de transmitir seus conhecimentos, suas mensagens, através de fatos, de acontecimentos e não apenas através do discurso.
Essa posição firme dos pais diz respeito aos limites. Os pais devem estar sempre exigindo do filho o máximo do que ele é capaz. Mas nunca deve colocar a exigência antes da compreensão. A compreensão vem da disponibilidade pessoal para escutar o filho, contextualizar, compartilhar momentos, examinar com amor e respeito.
O adolescente traz dentro de si, ao mesmo tempo, muita força e fragilidade. Eles querem buscar compreender-se e experimentar as mais variadas situações, mas ele praticamente reivindica que os pais lhe dê limites, parâmetros em relação ao certo e ao errado. Isso fará com que ele tenha uma bússola na sua procura e na sua experimentação nessa transição para a idade adulta.
Para finalizar, seguem palavras do psiquiatra Paulo Gaudêncio:
“Nós pais, devemos viver os nossos valores com tanta convicção, com tanta alegria, que os adolescentes, ao nos verem viver os valores dessa maneira, digam: isso é bom, quero experimentar, isso é o que quero para minha vida”.
Adaptado de Celso Antunes
Recentes estudos sobre o cérebro humano, realizados através das análises de imagens obtidas com a Ressonância Magnética Funcional, alteram a visão que se possuía sobre esse órgão promotor das ações humanas e entre todas essas mudanças, as que parecem intervir de forma mais direta sobre o que se pensa em educação diz respeito ao cérebro do adolescente.
Não muito tempo atrás se afirmava que o cérebro humano apresentava-se extremamente plástico e mutável na infância, mas que se consolidava por volta dos doze anos e, dessa forma, o cérebro adolescente era praticamente igual ao cérebro adulto e as diferenças comportamentais entre ambos devia-se essencialmente a questão hormonal. Hoje sabemos que os hormônios contam – e muito – na intempestividade adolescente, mas pode a mesma ser ampliada pelo amadurecimento do córtex pré-frontal. Não parece importar para a natureza destas considerações a essência biológica dessas mudanças, e sim de que natureza são, e de que forma pais e professores podem intervir de forma positiva visando uma ajuda.
É sempre importante realçar que mudanças cerebrais ocasionam alterações comportamentais involuntárias e, dessa maneira, nenhum adolescente se transforma da forma como se transforma porque assim quer agir ou porque adora imitar colegas que assim agem, mas pela ação de processos orgânicos que não sabe explicar e não pode controlar. É por essa razão que bem mais útil que criticar e punir é compreender e ajudar.
Assim considerando, relacionamos algumas mudanças que a neurologia já detecta e sugerimos algumas práticas que podem constituir cooperação expressiva.
1. O cérebro das meninas desenvolve-se cerca de dois anos mais cedo que o cérebro de meninos e somente por volta dos vinte a vinte e dois anos é que esse desenvolvimento se equipara. Essa diferença claramente notada mostra que a maturidade chega bem mais cedo do lado das meninas e, muito antes que os meninos podem abrir mão de atento acompanhamento. De qualquer forma é sempre importante considerar o julgamento que o adolescente faz de si mesmo, respeitá-lo plenamente, ainda que sabendo que esse autojulgamento é sempre mais instável e, portanto, sujeito a bruscas alterações por parte dos meninos. Se a menina, entretanto, é coerente e mais cedo que o menino é também melhor arquiteta na capacidade em simular uma segurança que não sente e, por esse motivo, a presença do adulto sempre perguntando, interrogando, desafiando, propondo representa estratégia sutil de envolvimento e caminho sereno de abertura para “soltar” a vontade de falar e pedir orientação. É essencial que professores e pais ajudem os adolescentes a organizarem sua agenda, administrarem seu tempo e disponibilizarem-se em estar sempre prontos para ouvir, intervindo quando solicitado, mas é impossível esperar que a seriedade da condução dessa administração aconteça com igual intensidade em sexos diferentes;
2. De forma geral, no inicio da adolescência e até por volta dos 15 anos ainda crescem áreas cerebrais ligadas à linguagem, razão pela qual é a fase em que se percebe grandes progressos na capacidade de escrita e nos interesses pela leitura. Esse interesse, entretanto, estiola-se sem a ajuda de estímulos proporcionados por pais e professores que animem o adolescente à leitura, interrogue-os sobre o que estão lendo, despertem seus entusiasmos para a escrita, anime-os a organizar seus diários, que representam oportunidade excelente para acréscimo na qualidade da expressão e capacidade de reflexão através da conversa interior que tal prática impõe. Quando possível, é esse o grande momento para a aprendizagem de línguas estrangeiras.
3. O desenvolvimento lingüístico aumenta os “diálogos interiores” do adolescente e, dessa maneira, conversando muito e sempre consigo mesmo, preferem evitar conversas com pais e professores, fugindo de relatos sobre suas ações, pensamentos e julgamentos. É nessa hora que cresce a importância de se estimular o que mais se evita, abrindo espaços para que apareçam “bons papos”, longas conversas com adultos e estes, nessa oportunidade, devem menos aconselhar e mais ouvir. Quem sabe ouvir, sabe sugerir que o adolescente reflita sobre o que fala e “empurrado serenamente a essa ação” pode completá-la de maneira progressiva e consciente. Mais importante que a certeza de se mostrar “bons caminhos” é a serena ajuda no sentido de se ouvir o adolescente, propondo que ele próprio busque esses caminhos.
4. Cérebros em mudança são sempre sensíveis a palavras, mas são ainda mais sensíveis a exemplos. Se impossível fornecer exemplo permanente de ação digna e de pensamentos altruístas, que ao menos possa se exaltar essa qualidade, convidando o adolescente a refletir sobre a ação admirável de personagens que assiste no cinema ou na TV, sobre ídolos que edifica das boas leituras que faz. Fazê-los falar sobre entes que admiram, constitui uma forma coerente de legitimar um exemplo ainda que fictício.
5. As rápidas mudanças no córtex pré-frontal ocasionam intensa agitação que se manifesta pela extrema ousadia e imprudência geralmente associadas a comportamentos irresponsáveis, muito mais nas intenções que nas ações. Horrorizar-se diante de respostas dessa natureza de nada adianta, como adianta muito pouco buscar uma repressão direta. Em circunstâncias como essas é extremamente válido solicitar a ajuda na construção de regras consensuais e mostrar-se árbitro rigoroso em seu cumprimento. Uma coisa é o adolescente aceitar regra imposta pelo adulto, outra coisa é assumir os efeitos e sanções das regras que ele próprio foi chamado a construir. Ainda que se rebele com palavras, todo adolescente admira o adulto coerente, firme ao exigir o que sabe de sua parte cumprir.
Pais e professores que facilmente se aborrecem com a imprevisibilidade adolescente, aborrecem-se também com a imaturidade ou a instabilidade de certos amigos, mas por acreditarem que importa preservar a amizade, sabem ceder e com tolerância compreender o outro. Quem sabe aceitar as esquisitices de um amigo que adora preservar, sabe adaptar-se a um adolescente que muito mais que e amigos vivem momentos involuntários de oscilações, que clamam por compreensão e amor.
Fonte: http://www.celsoantunes.com.br/pt/textos
É possível ajudar crianças e adolescentes a serem mais responsáveis?
Juliana Gavazzoni
Psicóloga, mestre em Análise do Comportamento pela UEL
Como são diversos os comportamentos que podem ser assim denominados, é muito comum que uma criança ou adolescente “seja” responsável em relação a algumas coisas (por exemplo: para fazer as tarefas escolares) e “não o seja” em relação a outras (por exemplo: em casa). Isso ocorre porque responsabilidade não é um traço de personalidade ou uma característica imutável com a qual se nasce ou não. Responsabilidade é algo que se aprende com a convivência, inicialmente com a família e, depois, com os diferentes grupos sociais. Por isso, há ambientes que podem favorecer os comportamentos responsáveis e outros não. Isso significa que, se pais e professores querem que seus filhos e alunos aprendam a cumprir seus compromissos, devem propiciar-lhes oportunidades de aprendizagem para tal. Como fazer isso?
- A primeira atitude é o exemplo. Como se pode querer que uma criança chegue no horário, faça suas tarefas domésticas ou escolares no prazo ou cumpra suas promessas em um ambiente em que os adultos não o fazem?- Responsabilidade implica em arcar com as conseqüências dos próprios atos. Essa é a principal forma pela qual todos nós aprendemos a obedecer a regras. Quando os pais correm para a escola a fim de justificar o atraso na entrega do trabalho do filho, por causa de uma viagem ou simples esquecimento, não estão permitindo que a criança aprenda que o não-cumprimento de suas tarefas traz conseqüências sérias. Ao contrário, estão ensinando que há sempre um jeitinho para tudo, e não é de se espantar se, no próximo trabalho, a criança pedir para faltar à aula porque não fez o trabalho ou que os pais telefonem para a professora pedindo um adiamento.
- É muito importante que os adultos sejam capazes de estabelecer conseqüências para o não-cumprimento das tarefas e que, de fato, essas conseqüências sejam levadas a cabo. De que adianta a mãe dizer para o filho que, se ele ficar em recuperação, não vai viajar com a família de férias, se é pouco provável que isso aconteça? Toda criança e todo adolescente sabe muito bem quando uma conseqüência é plausível e quando não é. Nenhum filho acha que o pai vai matá-lo se ele for reprovado na escola…- Imagine a mãe que pede ao filho que guarde o material escolar e, se este demorar a fazê-lo, guarda tudo por ele. Ou a professora que marca a entrega de um trabalho para determinada data, mas, no dia, simplesmente não o recolhe ou permite que ele seja entregue em outro dia qualquer. Nessas circunstâncias, os adultos estão ensinando às crianças que as tarefas devem ser cumpridas, mas não necessariamente no prazo marcado e nem pela pessoa a quem a tarefa diz respeito… Muitos pais se sentem muito ansiosos com o ritmo dos filhos e acabam fazendo por eles. Com isso, facilmente as crianças aprendem a manipular os adultos da casa, e o “já vou” se torna uma arma infalível para escapar das tarefas. O mesmo acontece na escola. Se a professora não dá atenção aos prazos que estabelece, os alunos que entregaram seu trabalho na data combinada questionam se burlar a regra é mais vantajoso.
Vivemos em um país onde a responsabilidade é muito enfatizada como valor e pouco cultivada como prática social. Costumamos falar muito da importância de sermos responsáveis, mas qualquer pessoa que já tenha marcado um encontro sabe como é difícil conseguir que o outro chegue no horário. Talvez isso aconteça porque nós mesmos tivemos poucas oportunidades de observar os adultos de nossa época sendo mais responsáveis ou porque a nossa cultura foi, ao longo do tempo, ficando mais tolerante com a irresponsabilidade. Independente disso, ninguém é capaz de negar as vantagens de viver em um mundo em que se pode confiar na palavra das pessoas. É o momento de investir nas novas geraçõesColégio Santa Catarina - JUIZ DE FORA
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